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domingo, 31 de julho de 2016

LEMBRANÇAS DE INFÂNCIA (1)

Foto: UOL (2016)



Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca
Estou atravessando um período gostoso, de intensa nostalgia. Posso dizer que atravesso uma etapa em que busco com insistência a compreensão de meu passado, buscando reconstruir uma parte de minha história que parece que andava meio esquecida. É muito bom, vez em quando, a gente remexer nos nossos guardados, revisitar nossa lembranças, pois, elas são essenciais para a construção do balanço de nossas vidas. Saber de onde falávamos em tempos pretéritos e de onde estamos a falar agora, nos tempos presentes.
É com grande carinho que guardo as minhas lembranças de infância. Ela (infância) é uma fase extremamente importante, pois remonta aos tempos onde caminhávamos, talvez, o mais próximo da tal “liberdade”. Lembro-me das “peladas” de futebol em campinho de terra batida (sem grama), das quais não tínhamos tempo para terminar o jogo.  Jogávamos descalços e, quase sempre, voltávamos para casa sem um pedaço da ponta do dedão do pé. Em casa minha mãe lavava o ferimento com uma bola de sabão preto e estava tudo certo.
Lembro-me com muita clareza das incursões da molecada ao cerrado para apanhar gabiroba, araçá, gravatá, dentre outras delícias do mato. Quantas vezes nos divertíamos furtando frutas nos quintais dos vizinhos: jabuticabas, goiabas, mexericas, laranjas. Tudo sem a mínima maldade ou má intenção. Naqueles tempos não nos preocupávamos muito com o amanhã, mas especialmente em viver os momentos presentes, em viver as coisas simples da vida. Não tínhamos muita responsabilidade, nem preocupações com as coisas dos adultos. Como eram bons aqueles tempos! Como éramos felizes com as coisas mais singelas da vida!
Hoje, me esforço bastante para compreender a infância. Parece que a molecada se contenta apenas com o virtual, não se preocupam com o que acontece na vida real. A vida, a natureza (o que ainda resta dela) nos brinda gratuitamente com diversos prazeres, dos quais nossas crianças estão cada dia mais distantes. Hoje, nossas crianças mais se parecem com adultos em miniaturas. E como é triste e desoladora chegar a esta conclusão, a esta realidade. Meus amigos e minhas amigas, desculpem-me pelo saudosismo exacerbado. Acontece que às vezes fico a pensar que daria tudo que tenho para reviver alguns daqueles momentos fascinantes que marcaram meus tempos de infância.   

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