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domingo, 5 de novembro de 2017

A ESCOLA NOS DOMÍNIOS DO CAPITAL

Foto: Prof. Valter Machado da Fonseca (2014)



Prof. Dr. Valter Machado Fonseca
É notório que o discurso predominante no âmbito do debate educacional brasileiro passa, necessariamente, pela formação do educando com vistas à sua integração ao mercado de trabalho, o qual é regido sob a batuta do grande capital e seus mecanismos de controle e regulação. Assim, sob esta perspectiva, a educação passa a reproduzir tal discurso e a qualidade do ensino fica submetida ao crivo dos números estabelecidos pelas metas e parâmetros que vão qualificar (ou desqualificar) determinada instituição de ensino, desde a formação básica até a superior, inclusive na pós-graduação. Embora, na sociedade moderna, sempre tenha existido a corrente afirmativa da escola reprodutivista das tendências do mercado capitalista, nos tempos d’agora esta afirmação se torna ainda mais contundente diante da inferência da eficácia do ensino relacionada aos parâmetros quantitativos (numéricos) criados pelos gestores da educação no Brasil e no mundo.
Assim, a educação que vem sendo sistematicamente ancorada e ajustada pelos mesmos mecanismos de regulação e controle do sistema produtivo capitalista. Desta forma,, podemos afirmar que a escola é um espelho (em proporções menores, mas com o mesmo grau de intensidade) da correlação de forças existentes na sociedade sob o domínio da hegemonia capitalista, marca indelével da sociedade dos tempos presentes.
Neste sentido, pensar a escola, os projetos pedagógicos, os currículos, a relação ensino-aprendizagem, a formação e o trabalho docente, demanda uma análise meticulosa dos parâmetros erigidos pelo capital para medir a eficiência da educação e sua qualidade (sempre diretamente vinculada e conectada com o sucesso ou insucesso do ensino voltado para os mecanismos de regulação do mercado de capitais). Então, para que possamos lograr êxito em nossas análises, é preciso a exta compreensão dos movimentos conjunturais da sociedade de classes, combinados com o movimento contínuo e infinitamente potencial da capacidade de evolução cognitiva de educandos e educadores na busca de conceitos e parâmetros para a formação integral do ser humano rumo a um processo de ensino-aprendizagem que seja capaz de edificar um novo modelo educacional fora dos parâmetros numéricos estabelecidos e para além do mercado regido pela mais-valia. 
A escola foi pensada e organizada dentro de um processo histórico de produção do conhecimento, onde este conhecimento produzido sempre esteve sob o controle das elites intelectualizadas e/ou daqueles que sempre detiveram o poder político e econômico. Na origem da sociedade capitalista ela foi pensada e arquitetada para difundir os conhecimentos da burguesia incipiente e que acabara de ascender ao poder. Assim, a escola, como lugar privilegiado de aquisição, sistematização e construção de conhecimentos e saberes, sempre esteve voltada para as demandas e interesses dos dominantes, ou seja, sempre esteve a serviço de uma determinada elite ou classe social.
Então, pensar a educação nos tempos d’agora, demanda uma reflexão sobre a história e a origem da escola nos marcos do domínio do capital. Demanda uma revisita aos fundamentos, conceitos, necessidades e aspirações sobre os quais ela erigiu. Dizer, então, que a educação é um ato político significa dizer que a educação não está divorciada das características da sociedade; ao contrário, ela é determinada pela sociedade na qual está inserida. Então, pensar a escola sob o viés ditado pela política neoliberal é não se assumir de fato como educador e, como tal é assumir-se como ser eminentemente político. Ao optar por um dos modelos possíveis de escola, os atores educacionais desenvolvem um ato político. E isto é fundamental para a formação da consciência individual e coletiva de nossos (as) educandos (as). 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

MARX NA OBRA DE ÍSTVAN MÉSZÁROS

Foto: Prof. Valter Machado da Fonseca (2014)



Prof. Dr. Valter Machado Fonseca
Ístvan Mészáros, filósofo e sociólogo húngaro, talvez seja um dos maiores expoentes do pensamento marxiano do final do século XX e início do XXI. Ele tomou para si a grande tarefa assumida por Georg Lukács, a recontextualização dos estudos de Karl Marx para os tempos presentes, para o século XXI. E o fez com grande maestria. A obra “Para Além do Capital” foi considerada por parcela extremamente significativa e séria da crítica literária mundial dos campos da filosofia, sociologia e da economia política, como a “obra do século”.
Embora tenha falecido recentemente, Mészáros nos deixa um acervo riquíssimo em inúmeras obras que nos fornecem importantes reflexões sobre a obra e o pensamento de Marx e Engels. Ao afirmar que a teoria de Marx acerca das crises cíclicas do capital está superada, uma vez que o capital entra agora em crise estrutural, isto é, as engrenagens sociometabólicas das forças reprodutivas do capital emperram toda a antiga capacidade que ele (o capital) teve um dia de produzir bens e mercadorias para atender às necessidades primárias e secundárias da humanidade, estão em fase de estagnação e, mais que isso, em fase de corrosão interna, Mészáros inaugura um novo campo de formulações sobre os estudos de Marx, o que nos permite a ampliação das reflexões sobre a crise estrutural do capital, bem como as formas de enfrentamento às próprias forças destrutivas do capital.
Então, os estudos de Mészáros nos permitem novas reflexões, novas abordagens e novas proposições nos marcos da construção do socialismo, como única forma de superação das formas de dominação capitalistas. Os estudos de Mészáros também nos abrem importantes reflexões para fazermos a necessária crítica às experiências com os Estados operários burocratizados, como os do Leste Europeu, a ex-URSS e Cuba, além de nos municiar com fortes argumentos contra a política de colaboração de classes dos governos de “Frente Popular” em todo o mundo.
Então, para compreendermos o quadro de avanços do Liberalismo com “nova” roupagem (o neoliberalismo) em todo o globo, bem como o refluxo do movimento e das conquistas da classe trabalhadora diante das forças destrutivas do capital, presentes na ofensiva neoliberal, a obra de Mészáros nos fornece importantes aspectos, novos ângulos para a recontextualização e reafirmação da atualidade do pensamento de Karl Marx nos tempos d’agora.
Então, o grande pensador húngaro nos permite reafirmar que a única alternativa viável para a emancipação dos oprimidos e marginalizados de todo o planeta continua sendo o socialismo, acolhendo os acertos e descartando os erros grosseiros das experiências históricas recentes nos Estados operários burocratizados. É preciso ver e olhar para a história recente da luta de classes mundial para conseguirmos vislumbrar os tempos que podem ser descortinados para além do capital.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A CONSCIÊNCIA COISIFICADA

Foto: Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca (2015)



Prof. Dr. Valter Machado Fonseca
A consciência, seu conceito e significado vêm se perdendo no vazio, no “buraco negro” da inexistência do “ser”, em um mundo regido pelo capital, autofágico, pelo “ter” decorrente de uma lógica “ilógica” da apropriação do corpo e do espírito humanos pela mais-valia capitalista.
Em Marx, não é a consciência que determina o ser, mas, inversamente, é o ser social que determina a consciência. Cientes disso, os mentores do capital tentam, ininterruptamente, a subversão da lógica do enunciado de Marx. E para que não se formem consciências, as quais superem as contradições do sistema regido pelo capital, esses atores das estratégias de produção e reprodução do capital agem sobre o “social”. A destruição das bases de formação, da percepção do próprio homem enquanto ser social, ou seja, as bases das dimensões do social são destruídas para que não se formem consciências, pois, elas (as consciências) em sua ação prática no mundo podem superar as contradições do modo de produção capitalista e soterrá-lo no próprio escombro das ruínas de suas contradições.
Definitivamente, o capital age sobre todas as dimensões do social com vistas a impedir que o homem enquanto ser social não perceba seu próprio potencial de transformação das condições medíocres e da cruel realidade em que vive. Esta é a lógica das estratégias de ação do liberalismo (ou neoliberalismo) sobre o processo de construção da consciência de classe de todos os explorados e marginalizados do mundo. As forças oriundas do neoliberalismo agem sobre o coletivo dos explorados, fragmentando-o, atomizando-o de forma que os trabalhadores e demais marginalizados percam a noção de pertencimento de classe. Isto se vê claramente em tempos de barbárie como os que estamos atravessando.
Assim, cabe ao conjunto dos oprimidos e marginalizados, a reconquista de sua unidade enquanto classe social. E isto somente será possível se, e somente se, homens, mulheres e jovens buscarem os valores da reconstrução de sua dimensão social. Isto significa, em todos os instantes de nossa vida, lutarmos ferrenhamente contra todas as formas de dominação arquitetadas pelas forças destrutivas do capital. Somente nesta perspectiva, somente nesta direção, homens, mulheres e jovens trabalhadores serão capazes de travar o verdadeiro combate contra a destruição das dimensões sociais do ser neste mundo (das dimensões ontológicas do homem enquanto ser social) e, nesta medida, criar os obstáculos e resistências que possam impedir a coisificação da consciência humana e a reconquista da autonomia e da identidade de classe.  
Somente na perspectiva classista, da consciência de sua própria condição de oprimido, de explorado pelas forças destrutivas do capital, o homem será capaz de romper os elos das correntes de sua escravidão. O que significa a luta permanente e unificada contra todas as formas de opressão e dominação, mas, para isso, se faz necessária a reconstrução das bases de nossa consciência enquanto seres sociais, que, em grande parte das vezes, estão corroídas pela acidez das forças destrutivas do capital sobre a identidade da totalidade dos explorados na sociedade de classes.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

NOVA REUNIÃO SBSP-UFV

Foto: Integrantes comissão organizadora XII Congresso SBSP (2018)

Foto: Integrantes comissão organizadora XII Congresso SBSP (2018)

Foto: Integrantes comissão organizadora XII Congresso SBSP (2018)

Foto: Integrantes comissão organizadora XII Congresso SBSP (2018)



Prof. Dr. Valter Machado Fonseca
Ocorreu nesta última segunda feira, 30 de outubro de 2017, na sala de reuniões do Departamento de Educação da Universidade Federal de Viçosa (DPE-UFV), a 4ª Reunião preparatória do XII Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção (SBSP) a ser realizado de 05 a 08 de setembro de 2018 na UFV.
A reunião contou com a participação da Epamig, Embrapa-Agroecológica, Emater, Encater, UFU, UFSJR, além da UFV, por intermédio do DPE, Licena, PPGE. Foi uma reunião de grande relevância, pois, conseguiu traçar um esboço das diversas comissões que organizarão o XII Congresso SBSP, tais como comissão organizadora, de finanças, de divulgação, de infraestrutura e logística, científica, dentre outras.
Novo encontro ficou marcado para o próximo dia 08 de dezembro do corrente ano, no mesmo local, com vistas a ampliar as participações, desdobramentos, e fortalecimento das comissões. A reunião também apontou alguns nomes de palestrantes nacionais e estrangeiros, além de debater o formato do evento. A coordenação geral do evento ficará sob a responsabilidade do Prof. Valter Machado Fonseca, do DPE-UFV.

domingo, 15 de outubro de 2017

O QUE EU DEVERIA COMEMORAR?

Foto: Prof. Valter Machado da Fonseca - aula de Geologia (2011)



Prof. Dr. Valter Machado Fonseca
Hoje, 15 de outubro de 2017, é o dia do professor. Mas, afinal que motivos teríamos para comemorar? Amo a sala de aula, meus educandos (as) e a arte de exercer a docência com hombridade, caráter e dignidade. Porém, o país está triste, o povo está triste e, o professor como parcela da classe trabalhadora, também está terrivelmente triste.
Nunca dantes, nossa digníssima profissão foi tão enxovalhada, maculada, atacada, dizimada. Querem tirar o brilho da arte da docência, querem fazer desta profissão tão nobre uma simples “receita de bolo”. Querem nos formatar, nos talhar como um utensílio, um instrumento qualquer. Nunca antes o professor foi tão transformado em mera mercadoria. Coisificam a educação, educadores (as), educandos (as)! Sempre que se aproxima de um pleito eleitoral, enchem a boca para “enaltecer” a educação. Quanta hipocrisia! Quanta mordaça, quanta angústia, tristeza e sofrimento impõem aos educadores (as) do Brasil!
 Não, caros (as) amigos (as), absolutamente nada temos a comemorar nestes tempos macabros, em especial debaixo do catre e da mordaça do silêncio que nos impõem enquanto educadores neste país. Não! Caros (as) amigos e amigas! Em absoluto, não é hora de fazer festa, pois, nada temos a festejar. É hora de mergulharmos na mais profunda reflexão sobre os desafios a serem superados em prol de uma “educação como prática de liberdade”, parafraseando o nosso saudoso educador, o professor pernambucano Paulo Freire.
É hora de pensarmos ações práticas para tirar a educação do lamaçal em que a mergulharam. É hora de, nós professores e professoras, nos percebermos enquanto parcela de uma classe maior, a classe trabalhadora. É hora de nos somarmos ao conjunto de educadores anônimos desta nação, ao conjunto dos oprimidos e marginalizados e passarmos a limpo este país. A educação não se constrói em festejos, fogos de artifício e festividades, não se constrói nos discursos divorciados da ação prática.
Ser educador é também se perceber enquanto peça chave para a tomada da consciência, com vistas à formação de sujeitos críticos que varrerão a sujeira e mudarão a história deste imenso Brasil. Educação significa tomada de consciência somada à ação prática no mundo real e na vida real. Diante disso, não permitamos que nos imponham, covardemente, a vergonha da escolha de uma profissão tão nobre para a construção da história de um mundo menos doente e mais igualitário. Sejamos, de fato, educadores!